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Um 'pote de ouro' no fim do arco-íris

Por André Miranda

Em 2007, os Jogos Pan-Americanos dividirão a atenção dos cariocas com outro evento de porte mundial. Pela primeira vez em mais de 20 anos, uma cidade da América do Sul receberá a Convenção da International Gay and Lesbian Travel Association (IGLTA). A escolha do Rio só comprova que a cidade se tornou um dos destinos turísticos preferenciais do público gay.

A previsão é de que mais de 500 pessoas participem diretamente da convenção. Os hotéis Pestana Rio Atlântica e Rio Othon Palace, em Copacabana, ambos associados à IGLTA, serão as sedes. Dan Littauer, presidente da comissão que organiza a convenção no Rio e diretor da agência de viagem G Brazil, especializada em pacotes GLS, conta que a idéia surgiu na ITB Berlim 2005 (Bolsa Internacional de Turismo), uma das maiores feiras de turismo mundiais, realizada em março.

- Foi a primeira vez que a Embratur levou uma agência gay para participar da ITB. Lá, nós lançamos, com o apoio da Riotur e do Rio Convention, a candidatura do Rio à convenção. E ganhamos o direito de organizar a feira - conta Littauer.

Alto poder de compra estimula investimentos

A Convenção da IGLTA é anunciada numa época em que o mercado gay no Rio vai bem, obrigado. E não apenas no que diz respeito a boates e casas de shows, como a Le Boy e o The Copa. Segundo Dan Littauer, nos últimos seis meses foram inauguradas três agências de viagens para gays na cidade. Uma delas, a Rio G Travel, aberta em Ipanema em junho, aposta no aumento da procura por serviços especializados para esse público-alvo.

- São apenas três os mercados de turismo que crescem no Brasil: o da terceira idade, o infantil e o gay. Acredito num crescimento de 30% ao ano de procura e oferta por serviços direcionados aos homossexuais - conta Rostand Machado, um dos sócios da Rio G Travel.

Para a psicóloga Adriana Nunan, autora do livro "Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo", os serviços para o público gay aumentam proporcionalmente à demanda.

- O Brasil é preconceituoso, mas seu preconceito é velado. A gente aceita os gays quando há uma passeata ou no carnaval, mas temos dificuldades em aceitá-los no dia-a-dia, trabalhando e estudando a nosso lado. Essa situação, porém, melhorou nos últimos anos, o que faz com que o público GLS busque serviços específicos. Hoje, já existem advogados e psicólogos especializados em casos homossexuais - diz Adriana.

Associado à IGLTA e gay friendly assumido, o hotel Pestana Rio Atlântica tem ainda acordos com agências e operadoras de viagens.

- É um segmento de mercado com muito poder aquisitivo, por não terem, na maioria dos casos, filhos. No hotel, contamos com um recepcionista gay em cada turno para atender melhor a esse público - explica Paulo Pimenta, gerente de contas internacionais do Pestana.

Um serviço pioneiro é a livraria O Passado Me Condena, em Laranjeiras. Inaugurada como brechó em 1994, a casa abriu uma livraria com produtos de interesse gay em 2001. Hoje, conta ainda com um espaço para exposições (atualmente quadros eróticos do artista Newton Lesme estão expostos).

- É ótimo aparecer novos serviços para o público GLS, mas temos que ter a preocupação de não confinar esses serviços a guetos, o que seria um retrocesso - opina Sávio, dono do brechó.

Fonte: Jornal O Globo, Caderno Zona Sul, páginas 32-35 (28/7/2005)