As psicólogas Adriana Nunan e Thays Babo acabam de iniciar uma cruzada contra o preconceito aos homossexuais. A idéia é formar uma comissão pró-GLBT dentro dos Conselhos Regional e Federal de Psicologia no Brasil.
"Apesar de existir a Resolução do CFP que condena a discriminação, a gente sabe que alguns psicólogos ainda não entenderam que a homossexualidade e a bissexualidade não são patologias", diz Thays Babo. "Conversando com a Adriana Nunan, chegamos à conclusão que - dentro da atual Estrutura do Sistema Conselhos - a criação nos Conselhos Regionais e Federais de Psicologia de uma Comissão para Assuntos GLBT poderia mudar este quadro - orientando/fiscalizando os profissionais sobre a homossexualidade e a bissexualidade, promovendo palestras e debates sobre o assunto que, infelizmente, a grade curricular não contempla", completa Babo.
Segue a íntegra do texto do abaixo-assinado. Se você é psicólogo, assine. Se não é, repasse para os psicólogos que você conhece.
"Campanha Nacional Pelos Direitos de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros
Prezados Colegas
Temos observado que, nos últimos tempos, profissionais pouco éticos
têm aproveitado brechas no texto da Resolução 001/99
, do Conselho Federal de Psicologia, que veda ao profissional desta categoria,
dentre outras coisas, discriminar a clientela de acordo com sua orientação
sexual. Tais profissionais têm proposto técnicas de psicoterapia
não eficazes e nada éticas, a fim de reverter a homossexualidade
ou a bissexualidade - partindo de um pressuposto que esta condição
do ser é patológica. Este posicionamento vai contra todas
as descobertas científicas até agora, bem como contra o posicionamento
da Organização Mundial de Saúde.
Ao conquistarem espaço na mídia, tais profissionais aumentam ainda mais o conflito que estes sujeitos vivenciam com seus familiares e amigos, no sentido de conseguirem afirmar sua identidade e provarem que não sofrem de uma doença. Além disto, estimula a violência contra homossexuais, bissexuais e transgêneros.
Face este quadro e acreditando que a orientação sexual, diferente da heterossexualidade, não se trata de uma patologia nem tampouco uma "opção", tomada de forma consciente e deliberada, se tratando mais da singularidade do sujeito e da diversidade humana, estamos propondo, junto ao Conselho Federal de Psicologia, a criação de uma Comissão para Assuntos GLBT, a nível nacional, com diversas funções. Seu principal objetivo é o combate ao preconceito contra homossexuais, bissexuais e transgêneros.
Para isto, estamos começando um abaixo assinado e solicitando a todos que se engajem nesta campanha de combate à violência e ao preconceito.
Informe os profissionais de Psicologia atuantes no Brasil que você conhece e que sejam simpatizantes da luta pela igualdade de direitos e solicite que eles também participem deste abaixo-assinado. Nossa campanha é simples: basta que o psicólogo ou psicóloga acrescente ao final deste e-mail, seu nome completo, bem como seu número de registro no Conselho Regional de Psicologia e um telefone de contato para que o Conselho possa, se precisar, conferir a veracidade dos dados, enviando para comissaoglbt@yahoo.com.br."
Fonte: Site GLS PLANET, seção News (16/3/2004)