Psicóloga estuda homossexualidade e identifica mercado consumidor gay
Da reportagem local
O resultado de um estudo completo da atual situação dos homossexuais masculinos brasileiros - especificamente dos gays moradores da Zona Sul carioca - está no livro "Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo", livro que a psicóloga Adriana Nunan lançou no dia 1 o de outubro, pela Editora Caravansarai. O título é a adaptação da tese de mestrado em Psicologia Clínica de Adriana, defendida em dezembro de 2001 na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Embora a homossexualidade seja cada vez mais discutida na sociedade brasileira, ainda são escassos os trabalhos acadêmicos sobre o assunto, seja na área da Sociologia, da Antropologia ou da Psicologia, por exemplo. Essa carência foi um dos motivos que levou a psicóloga a escolher o tema para sua tese de mestrado. Além de pesquisas em publicações (estrangeiras, em sua maioria), Adriana fez um minucioso trabalho de campo e entrevistou dez homossexuais cariocas, todos homens, moradores da Zona Sul e com idades entre 30 e 50 anos.
Aparentemente pequeno, o estudo de campo da psicóloga gerou respostas abrangentes e permitiu que a autora apresentasse conclusões reveladoras sobre temas pertinentes à realidade de grande parte da comunidade homossexual brasileira, e não só a dos gays cariocas. As entrevistas confirmaram algumas teses encontradas na literatura existente sobre o assunto, especialmente as impressões sobre o perfil do consumidor dos homossexuais em geral.
Na entrevista, os homossexuais falaram sobre assuntos diversos, como religião, identidade homossexual, coming out, preconceito, sexualidade, o impacto da Aids, a comunidade gay e o comportamento de consumo dos homossexuais, entre outros. Alguns foram pautados pela própria autora, outros foram citados espontanamente pelos entrevistados.
Uma das principais conclusões do estudo de Adriana Nunan é a existência de um mercado gay em franca expansão no Rio de Janeiro, voltado sobretudo para serviços direcionados a indivíduos com idade acima dos 25 anos e de classe média ou alta. A autora ressalta que o mercado homossexual no Brasil é um fenômeno que se desenvolve de maneira bastante particular, não sendo uma importação de padrões econômicos e políticos de outros países. O consumidor homossexual brasileiro teria um maior poder aquisitivo (por ser, em sua maioria, solteiro, sem filhos e não ter planos futuros nesse sentido), preferência por produtos ou serviços mais sofisticados e preocupação com aparência pessoal e moda.
Fonte: Jornal de Jundiaí, Leitura de Domingo, p. 3 (26/10/2003)