A psicóloga Adriana Nunan lança amanhã, pela editora Caravansarai, o livro Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. O título é uma adaptação da tese de mestrado da profissional, defendida em 2001 na PUC do Rio. Adriana conversou com um universo de homens gays cariocas, das classes média e média alta, a maioria com ensino superior completo, para realizar a pesquisa. "Apesar do meu público ser do Rio de Janeiro, os fatos levantados são válidos para todo o país, especialmente nos grandes centros urbanos", defende Adriana, em entrevista ao Advillage.
Economia - "A diferença crucial entre os consumidores homo e heterossexuais é que os primeiros geralmente têm dinheiro disponível no final do mês e vivem com o bolso menos controlado, pelo fato de não terem filhos, nem pensarem em ter", explica a psicóloga. "Os gays gastam principalmente com roupas, viagens e muito lazer", detalha. "E é um consumo bastante sofisticado, incluindo grifes famosas, como Ellus e Fórum, e estilistas nacionais e internacionais."
Campanhas - Sobre publicidade, Adriana acredita que nem todas as empresas devem se esforçar para anunciar junto ao público gay. "Se a empresa é muito tradicional e familiar, anunciar especificamente para esse público pode não ser um bom negócio", avalia. "Mas, para quem quer investir, as dicas são usar o imaginário do casal gay, junto e no dia-a-dia, já que esse público dá muito valor ao que está acontecendo agora, ao presente. Também, é importante ligar os anúncios aos amigos. Muitos gays foram rejeitados pelos pais e encontram nas amizades uma nova família", analisa. Outros métodos eficazes de conquistar esse público são os patrocínios aos evento, casas noturnas e bares gays e o uso de símbolos da cultura, como a bandeira arco-íris. "No Brasil, não conheço uma companhia que faça anúncios tão especializados para os homossexuais, tão comuns nos Estados Unidos. Mas, quem sair na frente, desconfio que vai ter muito lucro", acredita.
Revistas - O mercado editorial para os homossexuais foi mencionado em diversas entrevistas, segundo a psicóloga. Os entrevistados disseram consumir principalmente revistas, mas reclamaram da falta de títulos gays. “Muitos comentaram, com tristeza, sobre o fim da Sui Generis, importante revista do meio que faliu por falta de anunciantes”, diz Adriana. O livro da psicóloga estará a venda nas livrarias das principais capitais ou no site da editora.
Fonte: Ad Village (30/9/2003)